-Diga-me coração, onde devo ir ?
E bate o coração três vezes.
-Por aqui ?
E bate o coração três vezes.
-Gosto daqui... Mas porque não por ali ?
E bate o coração três vezes na mesma direção.
-Você prefere aqui, né ? Mas veja, há outro caminho, porque não ir por lá ?
E bate o coração três vezes na mesma direção.
-Eu falo a língua dos homens, chega de batidas e dê-me respostas !
E dessa vez o coração não bate nenhuma vez.
-Deixe-me entender porque ir por aqui e não por ali, estou perdido !
Mas continua o coração sem bater, e sem dar explicações.
E esse frustado ser, agora confuso também, se recorda de inúmeras vezes em que o coração acertara o caminho, mesmo sem dar-lhe explicações, e de outras inúmeras em que ele errara, e continuou sem dá-las.
Se recorda também, de não se recordar de alguma explicação do amigo, nunca ouvira nada além de batidas.
Apaixonara-se toda vez pelos caminhos indicados pelo inocente amigo, amara com dez vezes mais paixão os caminhos certos,e se arrependera cem vezes mais nos caminhos errados.
-Agora entendo. Esse seu caminho nada mais é que instinto. O que farei ? Temo me aventurar em jogos de azar, e temo ainda mais perder oportunidades.
-Estou perdido, não sei o que faço...
E esse ser, parado em seus próprios questionamentos, cochichava para si, a seguinte frase:
-Qual será o certo ? Qual será... ?
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